domingo, 1 de abril de 2018

O olhar do outro surge do seu além. Não se assemelha a nada: somente a ele mesmo
"Eu, que nada sei de mim, aqui estou porque o outro me olhou assim. Duplo ou não, nu. Mas quando estarei realmente presente diante do teu olhar? O que você pretende colocando-me por dentro de um retrato: mudar um pensamento? O que será que a minha imagem reinventa dentro/fora de um retrato? Para o outro, aquele que olha, há neles um autorretrato? Quem dispara depois: a câmara ou o olhar? Quem é estrangeiro diante de nós: eu ou você? Até quando precisaremos da imagem do outro para entender/expurgar a nossa própria imagem? O que um retrato guarda e o que ele leva embora: os rastros de uma existência? Os ruídos do tempo? Se você cola o meu retrato sorrindo numa lata de sopa, o que ele quer dizer: um modelo de pensamento ou uma forma inventada para eternizar o que nunca será eterno: uma lata de sopa! Se você coloca o meu retrato num álbum de família, posso pensar, "sim, eu existo!" e então teremos um retrato para a minha/nossa memória. Qual a verdadeira história que um retrato eterniza? Eu, que nada sei de mim, aqui estou porque o outro me olhou desse jeito (o jeito que ele consegue me ver). E você? Você sabe quem é? O retrato representa para a fotografia o que queremos ser para nós mesmos? Quem somos por dentro e por fora de um retrato: o som de uma voz interior? Uma figura de passagem? Material de consumo? Ou a tênue recordação de um outro mesmo eu?"             
- Diógenes Moura

A arte toca - transforma - cutuca - provoca - encanta - engana - alucina - emociona - incomoda...
Dia 25/10/2016 Diógenes me provocou com essa linda reflexão e com suas fotos...

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